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GREEN MINING - Logística Reversa com Adicionalidade para o Mundo



* Para obter o texto em inglês basta mudar o idioma no site


Que a reciclagem de resíduos é um problema no Brasil e em várias partes do planeta há muito tempo, todo mundo sabe. Iniciativas para minimizar este problema surgem a todo o momento. No entanto, uma delas acaba de ganhar o Latam Edge Award 22, na categoria SmartCities, por sua genialidade ao empoderar o sistema de ponta a ponta fazendo com que todos os envolvidos ganhem por fazer sua parte na reciclagem das embalagens, além de criar uma fórmula que pode ser escalada globalmente. O sistema foi desenvolvido para ser transparente e justo para todas as partes.


Fundada por Rodrigo Oliveira (CEO), Leandro Metropolo (CTO) e Adriano Leite (COO), a Green Mining é o resultado de várias inquietações de quem trabalhava em uma empresa de monitoramento e gerenciamento de aterros sanitários e via um enorme desperdício neste negócio.


Os três sócios, que iniciaram no mercado de resíduos da construção civil, desenvolvendo sistemas de rastreamento de caminhões com carregamento de terra limpa para os aterros sanitários, criaram um sistema que atendia todos os requisitos exigidos em lei e era extremamente eficaz para este segmento. Quando, em 2018, a Ambev lançou um desafio para startups que trouxessem soluções para a logística reversa da empresa, eles viram que havia ali uma oportunidade.


"Pivotamos nosso sistema de construção civil para um sistema que fosse capaz de rastrear as embalagens". Mudamos a chave de obras para bares e restaurantes", comenta Rodrigo Oliveira.


Ao usar um algoritmo inteligente foi possível calcular com base no consumo médio de produtos adquiridos por bares e restaurantes, qual a quantidade média de resíduos gerados. Adicionaram ao sistema o componente de geolocalização, que permite conectar os coletores de resíduos no mapa, e passaram a oferecer também a coleta gratuita a bares e restaurantes. A única contrapartida seria entregar o material limpo e separado da forma correta. A partir daí criou-se o círculo virtuoso da coleta.


"O programa de aceleração da Ambev foi muito bacana pois paramos para olhar os fluxos econômicos da cadeia de reciclagem. O catador - trabalhando em condições degradantes - que leva o material coletado para o sucateiro que, por sua vez, enfarda e leva para a usina de reciclagem, para que a empresa que usa este material reciclado faça a publicidade de que está produzindo uma embalagem ambientalmente "correta", mas não tem a visibilidade das questões sociais por traz desta cadeia", explica Rodrigo. “Da ponta até o distribuidor, o valor deste material quintuplica de preço e os trabalhadores continuam a fazer a coleta de forma degradante”, completa ele.


Melhores condições de vida para todos


O prêmio de USD$100,000 do programa 100+ Accelerator da Ambev permitiu que os sócios desenvolvessem um sistema com foto, georeferenciamento e pesagem utilizando a tecnologia blockchain para garantir rastreabilidade verdadeira do material.


Funciona da seguinte forma: o estabelecimento entrega vidros e plásticos separados e limpos, o coletor da Green Mining busca o material e, no local, registra no sistema através de seu smartphone. Ele leva os resíduos para um ponto de concentração onde é feita a pesagem. Assim que uma grande caçamba é preenchida, o material é pesado novamente e encaminhado para a Usina de Reciclagem, que também pesa e confirma o recebimento.


As origens podem ser pontos de consumos, como bares e restaurantes, condomínios ou pontos de entregas voluntárias (atualmente na cidade de São Paulo são 63 lojas Minuto Pão de Açúcar, 17 do Carrefour Express, supermercado Casa Santa Luzia, Quitanda e 4 brewpubs). O segredo está na qualidade do material entregue pelo usuário, ou seja, ele tem que estar limpo e segregado corretamente.


A força da Mineração Urbana

A mineração urbana valoriza o catador, seja do ponto de vista do preço que é pago a ele por seu trabalho, seja do ponto de vista de sua dignidade, já que a coleta é feita de forma fácil, programada e com os materiais lavados e prontos para serem encaminhados para a reciclagem.


E o que a Green MIning fez foi exatamente isto: dar transparência, eficiência e dignidade à mineração urbana valorizando o que hoje é jogado fora sem nenhuma consciência do valor que tem. Plataforma, aplicativo e um ecossistema trabalham em conjunto para interceptar materiais de forma inteligente e eficiente antes que eles acabem em um aterro ou lixão.


Mas a startup não parou por aí. Passou a licenciar sua tecnologia para os interessados em reciclar de forma transparente. Hoje há empresas e cooperativas coletando com a metodologia e a plataforma Green Mining em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Fernando de Noronha, Ilha Bela, Chapada dos Veadeiros e Trancoso, entre outros locais.

"Enquanto os europeus já atingiram índices de reciclagem de 55% a 75%, dependendo do país, continuamos, no Brasil, a enterrar 98% de todos os resíduos - 60% em aterros e 40% em lixões. Isso é muito ruim porque pelo menos um terço do que a gente joga fora tem potencial para ser recuperado" comenta Rodrigo. “Não é possível continuar a ver materiais retirados da natureza, sendo processados e colocados para o uso da comunidade que, por sua vez, joga tudo fora em enormes lixões onde há pessoas minerando estes resíduos em condições subhumanas, sem equipamentos de proteção, sem direitos trabalhistas, sem nenhum tipo de apoio”.


Green Tracking


Segundo Rodrigo, é muito fácil começar a operar com o sistema Green Mining. Se um condomínio, por exemplo, quer adotar a reciclagem trackeada da empresa, pode requisitar pelo site. A partir daí, o interessado recebe uma visita técnica para estruturar a coleta e iniciar o processo.


"Geralmente começamos com o vidro e depois avançamos com os demais materiais", comenta Rodrigo, informando que em São Paulo, cerca de 70% do vidro retirado pela coleta seletiva da prefeitura vai parar em aterro sanitário e não é reciclado porque não há separação de vidro nas centrais mecanizadas que recebem a maior parte da coleta de recicláveis da cidade. Apenas os 30% enviado às cooperativas são recuperados.

Cooperativas e associações de catadores também fazem parte do sistema. Elas são contratadas pela Green Mining pelo serviço de coleta, sendo remuneradas por isso, além de ficarem com toda a receita do material triado.

Avançando um pouco mais, os sócios desenvolveram várias patentes, entre elas a de um saco de lixo reciclável, que conta com um QR CODE e permite a identificação pelo App de quem separa adequadamente os materiais. Estas pessoas serão recompensadas através de créditos em supermercados, por exemplo. A missão desta inovação é “reconhecer para recompensar”, explica Rodrigo.


Este projeto ainda está em fase piloto na Comunidade do Sapé, em São Paulo. Feito em parceria com a Sabesp e a Valgroup, a Green Mining contratou a Cooperativa Vira Lata que coleta os sacos na comunidade. A maior surpresa foi que os materiais entregues chegaram com 0% de contaminação. "Isso foi incrível! O material estava muito limpo! Não esperávamos tanta perfeição - nem o presidente da cooperativa!" conta Rodrigo.


"Em breve queremos que todos possam usar esses sacos rastreáveis para serem recompensados. Estamos na fase da homologação das empresas e cooperativas de coleta, e também buscando patrocinadores para embarcarem nesta revolução. Estamos replicando o projeto em uma escola e mais 4 comunidades e alguns municípios já têm nos procurado para usar esta solução dentro da coleta seletiva e permitir que toda a população possa ser reconhecida pela separação de recicláveis, reduzindo o volume de materiais enterrados em aterros”, diz ele, complementando que a sinergia dos dois lados é fundamental. "Acreditamos muito em cooperação. Atendendo às grandes indústrias através da coleta de resíduos geramos economia para os municípios e reduzimos custos. Essa cooperação é o grande driver para a evolução deste sistema".


Reciclar é um bom negócio


Com 98% do que se produz sendo jogado fora, praticamente todo o PIB gerado por aqueles que geram bens de consumo acaba sendo jogado fora, portanto o tamanho do mercado potencial da reciclagem no Brasil, segundo Rodrigo, é tão grande quanto o PIB destes segmentos.


A Green Mining tem seu faturamento todo baseado no B2B e agora está avançando no desenvolvimento de projetos B2C (saco de embalagens com QR CODE). “É neste ponto que faremos a grande mudança - criamos a primeira solução escalável globalmente, pois conseguimos que todos façam parte do processo” explica Rodrigo. “As informações dos locais de geração e concentração de materiais nos ajudarão a ser mais eficientes na logística reversa", conta ele. Como se trata de prestação de serviços, foi possível ter um pay back rápido e manter a saúde financeira da empresa. "Nosso crescimento vem do fato de termos desenvolvido uma cultura ‘growth hacking’, já que buscamos constantemente evoluir nosso próprio sistema implantando melhorias e com isso conseguimos que a empresa multiplique seu faturamento em comparação ao ano passado”.


Conheça os “imãs de reciclados” criados pela Green Mining que estão se espalhando por São Paulo e devem se espalhar pelo Brasil e pelo mundo


O projeto Estação Preço de Fábrica é composto por containers com 3 funcionários e atua como um verdadeiro “imã de materiais” para a reciclagem. Inaugurado em Carapicuíba em parceria com o Grupo Boticário, a Green Mining quer espalhar cada vez mais containers pelas cidades.

“Na região o catador recebe R$ 0,06 pelo quilo do vidro quando entrega no sucateiro. Na porta da Estação ele recebe uma média de R$ 0,42/quilo - mesmo preço pago pelas usinas de reciclagem”, explica Rodrigo. O catador chega, entrega, pesa e recebe um comprovante, como se tivesse feito um depósito no banco. Assim que ele atingir R$ 10,00, recebe um PIX automático em sua conta todas as sextas-feiras. Da Estação Preço de Fábrica, a Green Mining leva o material até a Massfix, que transforma o material em matéria prima para se tornar uma nova embalagem de perfume da marca O Boticário.


O projeto já atendeu mais de 350 catadores e carroceiros que anteriormente nem trabalhavam com vidro. "Queremos que aqueles que vivem hoje da reciclagem ganhando, em média, 490 reais por mês, passem a receber de 1.500 a 2.000, e assim poderemos dar a eles mais condições para que se transformem em autônomos de verdade”, diz Rodrigo. “Buscamos parceiros para espalhar as Estações Preço de Fábrica por todos os Estados do Brasil para que, junto com os sacos de lixo rastreáveis, possamos aumentar o fluxo dos materiais recicláveis e criar um sistema virtuoso, com dignidade para todos os envolvidos. Em seguida, espalhar a solução pelo mundo", complementa.

















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